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HELEN LETÍCIA PIERCE Imprimir E-mail
ECHLP

Foi durante uma época muito difícil na história mundial que Deus me deu vida. Nasci em 1933, em Springfield, Illinois, quando os Estados Unidos ainda estava no meio da Grande Depressão. Era difícil achar serviço, até impossível em muitos casos, portanto comida e tudo o mais faltava para a maioria no país. Agravando ainda mais a situação para nós, foi que meu pai contraiu tuberculose ao mudar-nos para Chicago, pois lá ele trabalhou na tipografia do meu avô. Provavelmente a causa da doença foi o uso de chumbo no processo de impressão empregado naquela época. Sem a saúde para poder continuar no serviço, e com o conselho do médico que o tratava, viajamos para bem longe, para morar numa cidade no deserto que ficava no Estado do Arizona. O médico tinha explicado que lá o ar seco e o clima quente lhe fariam bem. Eu estava com 5 anos de idade. Ao chegar lá, ele comprou um pequeno posto de gasolina junto com um mini-mercado. Lá ele ganhava pouco - mal dava para nos sustentar - uma família de seis pessoas. Eu ia junto para o posto de vez em quando, de mão dada com a minha mãe, e ficava fascinada com os mexicanos e os índios que vinham falando espanhol entre si. Como o médico havia dito, a clima árido fez bem para o meu pai, e ele sarou em um ano. Ele acabou gostando muito do oeste dos Estados Unidos, e, em seguida, resolveu mudar para o norte do país, para o Estado de Oregon. Lá ele mesmo fez a planta e construiu para nós uma casa boa nos fundos de um lote, e um pequeno restaurante na frente, à beira duma estrada principal que atravessava o país do oeste para o leste, onde muitos viajantes passavam. No restaurante as pessoas gostavam de parar para descansar e conversar antes de continuar as suas viagens e comprar os hambúrgueres especiais que ele fazia, seguindo uma receita própria dele, e frapês de leite com sorvete e chocolate. No Arizona eu gostava demais dos mexicanos, dos índios, do deserto e dos cactos, e em Oregon, do cheiro dos pinheiros que permeava tudo, das montanhas, e dos rios gelados e cristalinos. No oeste geralmente não íamos à igreja, mas me lembro que uma vez meus pais nos levaram lá. Foi numa manhã bem ensolorada, e para aproveitar o dia lindíssimo, a professora levou a nossa pequena turma para fora do salão, na grama. Lá ao ar livre, ela nos ensinou "Os Passarinhos Cantam" e "Suba A Montanha Ensolarada". Hoje ainda canto esses dois corinhos que aprendi na Escola Dominical naquele dia. Como foi gostoso ouvir sobre Deus.


Foi no fim de novembro, numa tarde bem fria, que a minha mãe colocou-nos no carro - a minha irmã e eu, meus dois irmãos e o nosso cachorrinho, Tige. Meu pai ficou nervoso porque não podia ir junto, pois ele precisava cuidar do restaurante. Ele não queria que nós saíssemos sozinhos para as montanhas, mas fomos assim mesmo. Subimos uma montanha pela estrada principal, até o ponto em que chegamos em uma estrada menor onde uma placa anunciava que o guarda florestal já havia saído do seu posto para o inverno, portanto não era aconselhável viajar adiante. Passamos a placa e entramos na estrada menor que subia mais a montanha - não íamos muito longe mesmo e logo estaríamos de volta. Que cena bonita que o dia nos apresentou! Os galhos dos pinheiros estavam todos cobertos de neve e tinha muita neve no chão todo em volta - o sol brilhava nos convidando. Todos nós estávamos empolgados na busca duma árvore de Natal. Das janelas do carro olhávamos tudo em volta, tentando achar uma árvore pequena, duma altura certa, que coubesse direitinho na nossa sala, mas não estava dando certo. Todos queriam parar para procurar a pé. A verdade era que queríamos pular e correr naquela neve. Todos nós saímos do carro e depois de correr para lá e para cá procurando bastante, achamos "aquela" árvore que era a mais bonita. Cortamos a pequena árvore e a amarramos em cima do carro. Entramos novamente no carro com muita pressa, prontos para carregar a belezinha para casa onde iríamos enfeitá-la bem bonita. Precisávamos sair logo, logo, pois já estava anoitecendo. Só então foi que apareceu um problema - o carro não pegava. Por causa do frio exagerado, o carro simplesmente não pegava, e a bateria estava ficando cada vez mais fraca. Minha mãe lembrou bem naquela hora da placa na entrada que dizia que o guarda florestal já havia saído do seu posto e ainda ela lembrou que ele só voltaria na primavera. Não só isso, mas ela nos contou também que ninguém, ninguém iria passar na estrada nessa época do ano. Não haveria nenhuma pessoa sequer por perto que pudesse nos ajudar. O medo e a seriedade da nossa situação começaram a tomar conta de nós. O que fazer? Eu nunca tinha visto a minha mãe orar, mas naquela hora ela falou ao meu irmão mais velho, que tinha 12 anos de idade, e pediu que ele orasse junto com ela. Todos nós abaixamos as nossas cabeças e os dois oraram, pedindo ajuda lá do alto. O coração dela batia forte e ela quase parou de respirar, de tão ansiosa que estava em face do perigo que estávamos enfrentando. Com muita cautela ela virou a chave na ignição e tentou dapartida novamente. Agora o motor pegou com uma certa preguiç e começamos a descida da montanha. Ela dirigiu bem devagarzinho para não deslizar na neve e ficar com o carro encalhado na valeta. Se ficasse, podíamos entrar numa situação pior ainda. O tempo todo ficamos tensos e bem calados - pensativos sobre o perigo que deixamos para trás sim, mas ao mesmo tempo com muita gratidão e alívio em nossos corações. Foi daí que minha irmã reparou que na pressa de sair, tínhamos deixado o nosso cachorrinho - sozinho - lá atrás na montanha. Simplesmente não havia a possibilidade de voltar para buscá-lo por causa da hora avançada. Continuamos na descida, bem tristinhos. Ao chegar na estrada principal já era noite. Viajamos mais alguns quilômetros e chegamos em casa, todos ao mesmo tempo contando para o pai sobre a nossa aventura. Nessas alturas, ninguém nem pensava mais na árvore, de tanto que lastimamos a perda do nosso cachorrinho. Todos nós agradecemos a Deus repetidas vezes, por estarmos em casa quentinhos e com vida. Todos reconhecemos que Deus ouviu e atendeu as nossas orações. Um mês mais tarde, uma senhora que morava no bairro onde antes morávamos, nos ligou dizendo que um cachorro magro e sujo estava rodando a vizinhança dela, que parecia estar procurando alguém e perguntou se ele não seria o nosso. Meu pai e meu irmão foram ver. Era ele!! Aquela noite fizemos uma festa, de tão contentes que estávamos, pois o cachorrinho nos amava tanto que não achou demais enfrentar sozinho aquela viagem toda a pé desde o topo da montanha, para vir para casa. Agora nossa alegria estava completa e mais uma vez a nossa gratidão a Deus era muito profunda. Uma semente de fé tinha sido plantada no meu coração e eu queria conhecer melhor esse Deus que ouviu e respondeu à nossa oração.


Não muito tempo depois, saímos do oeste do país e voltamos para morar novamente no centro-oeste - para a cidade natal do meu pai no Estado de Illinois, onde a minha irmã e eu também nascemos. Lá morávamos a uma meia quadra da igreja onde ele ia quando menino e onde tinha se convertido a Cristo.Estavamos bem contentes, pois era tão fácil assistir a todas as reuniões. Só atravessávamos a rua, e lá estávamos. Desde o começo, eu não entendia a doutrina que eles ensinavam lá. Ao meu entender, eles me ensinavam para não pecar, para que eu não me perdesse. Eu não me achava muito ruim - eu tentava ser boazinha e obediente. Eu tinha sido batizada por aspersão quando nenê naquela igreja e gostava de ver o meu certificado de batismo que mostrava o Bom Pastor segurando um cordeirinho nos braços dEle. Embaixo estava escrito o meu nome e a data do meu batismo. De uma forma inexplicável me sentia segura e aceita por Ele. Ao ser batizada, meu nome foi posto automaticamente no rol como membro da igreja. Agora, voltando para a mesma igreja, sem lembrar ou ser afetada pelas experiências passadas quando era nenê, como eu já era membro, comecei a tomar a Ceia do Senhor uma vez por mês junto com os outros membros. Eu ainda não tinha nenhuma noção de que era pecadora, igual a todos os outros no mundo; mas um dia a minha irmã fez algo que me deixou com muita raiva, e bati os pés no chão com força e gritei com ela, contando do ódio que eu tinha dela. Imediatamente, reconheci que isso era pecado - um pecado gravíssimo até. Não sei dizer como é que sabia, mas eu sabia muito bem que era pecado ter ódio de alguém, e quanto mais da minha própria irmã. A minha consciência começou a pesar muito e isso continuou por alguns anos. Pela primeira vez comecei a me preocupar - que tal se eu morresse - aonde é que eu iria? As chamas do inferno se tornaram muito reais. Minha mãe tinha me ensinado uma oraçãozinha de criança, e eu, chorando e tremendo, tomava o cuidado de fazer aquela oração toda noite, de coração. Implorava a Deus que Ele me levasse com Ele se por acaso eu morresse aquela noite. Eu dizia as palavras com muita nitidez, esperando que Deus reparasse que eu era sincera. Como eu estava sempre freqüentando a igreja e não faltava nunca por anos seguidos, como prêmio eu ganhava anualmente uma medalha que eu podia juntar com outras dos anos anteriores e pôr na minha blusa, mostrando quantos anos eu tinha freqüentado a igreja sem faltar. Embora eu antes tivesse muito orgulho delas, de repente reparei que as medalhas não me ajudavam nada para aliviar a minha consciência pesada. Quando o pastor arranjava reuniões especiais de evangelismo, ao convidar pessoas para a frente que quisessem se converter a Cristo, eu ia - e mais que uma vez, sentindo profundamente o meu pecado, mas sem saber o que fazer com ele, pois nada adiantava. Ninguém vinha me aconselhar depois, e eu saia triste, sem ter recebido Cristo como o meu Salvador, concluindo que só queriam que os adultos se convertessem. Não entendia porque crianças não podiam fazer isto. Eu distribuía folhetos evangélicos de casa em casa junto com meu irmão, que era cinco anos mais velho que eu, às vezes distribuindo-os até sozinha depois das aulas. Ele costumava levar a minha irmã e eu para atividades cristãs fora da igreja também - como para assistir reuniões patrocinadas pela Mocidade Para Cristo, ou para assistir reuniões de evangelização em tendas nos parques no verão, etc. Foi no parque que nós três fomos num certo verão, chegando bem antes das reuniões marcadas para o público geral, para assistirmos aulas de pós-evangelização. Estavam nos treinando para lidar com pessoas que vinham para a frente ao ser convidados para se converter. Uma noite, sentada junto com os outros ouvintes na tenda, eu escutava com muita atenção as palavras do jovem pastor que pregava sobre o pecado, sobrjuízo vindouro e sobre a graça de Deus. Ele terminou a sua pregação dizendo que talvez algumas das pessoas presentes estavam com vergonha de vir para a frente sozinhas para se converter, e que talvez nós podíamos dar uma força para elas se as acompanhássemos. Ele disse que deveríamos oferecer a nossa ajuda para a pessoa que estava sentada ao nosso lado. Dito e feito. Virei para a moça ao meu lado, que era uma amiga da minha irmã, e convidei-a para ir para a frente comigo para se converter, que eu ia junto com ela. Naquele mesmo instante ficou bem claro para mim que nem eu não era salva ainda. Num instante, ali mesmo recebi Cristo de verdade, e fui para a frente de braços dados com ela, onde ela também O recebeu. Também foi naquele mesmo momento que o Senhor me chamou pela primeira vez para O servir. Fui para a frente e testifiquei para a moça que estava lá à minha espera, para me ajudar no trabalho de pós-evangelização, que ela não precisava me aconselhar agora e que nem precisava me dizer como é que eu podia ser salva, pois eu tinha acabado de receber Jesus como meu Salvador, e daí contei que Ele não só me salvou mas que Ele também me chamou para O servir mais tarde. Eu sabia desde o início que eu deveria servi-Lo um dia na América do Sul. Estava com 14 anos de idade. Fui para casa me regozijando que era uma nova criatura em Cristo Jesus, mas chorei muito aquela noite sozinha, porque eu sabia que aquele evangelista, que tanto me entendia e me explicava a Palavra de Deus logo ia embora e depois não teria quem me ajudasse na minha fé. Deus me confortou muito depois e me encheu de paz e esperança a noite toda, trazendo para minha memória o versículo "Tudo posso naquele que me fortalece". O Espírito Santo me ajudou a entender que o evangelista sim, sairia, mas que O Senhor mesmo seria a minha Fortaleza e que Ele mesmo iria me guardar. Ficou claro para mim que Ele me amava e que me entendia muito mais do que aquele servo de Deus. Acordei no dia seguinte sabendo que eu era diferente. Tive um novo poder na minha vida e um novo desejo de agradar e servir a Deus, que tanto me amou. Agora não era mais o caso de eu evitar de pecar para ser salva, e sim, eu concordava que eu era uma pecadora - mas agora salva pela Sua graça. Agora eu queria servi-lo em gratidão, por tanto que Ele me amou, que enviou o Seu Filho amado para morrer em meu lugar. Eu admiti para Ele que não entendia muito sobre a salvação e sobre a vida cristã, mas confiei tudo que não entendia nas Suas mãos. No meu interior fiz um trato com Deus - assinei o meu nome numa folha branca, sem ter nada ainda escrito, e pedi que o Senhor preenchesse aquela folha que significava a minha vida, da maneira que Ele quisesse. O meu gozo continuou por alguns meses, mas não cresci muito espiritualmente, nos primeiros seis a sete anos da minha conversão. As doutrinas da igreja onde ia continuavam ainda a me confundir. Mas a minha chamada por Deus ficava firme na minha frente e um ano estudei espanhol em preparação para cumprir com o plano de Deus para a minha vida. Mais tarde, fiquei tão confusa que resolvi mudar de igreja, mas com essa também, estava insatisfeita. Depois assumi um emprego em que precisava trabalhar aos domingos e não ia mais para igreja nenhuma. Quando encontrei e mais tarde resolvi casar com meu namorado, eu não sabia com certeza se ele era crente no Senhor ou não, embora gostássemos de falar sobre as Escrituras. Assim mesmo, nós noivamos. Duas semanas antes do nosso casamento, eu estava falando com Deus e buscando saber a vontade dEle quanto ao nosso casamento. Desde a minha conversão, no meu interior eu achava que era para eu casar com um pastor, e eu - nem sabia se meu noivo cria no Senhor ou não! Cheguei ao ponto de estar pronta para desmanchar o meu noivado com ele e cancelar o casamento, se não fosse a vontade de Deus. Eu pedi que Ele me esclarecesse e que me respondesse. Uns dias depois, peguei um folheto que achei sobre uma mesa. No fim da leitura estavam escritas duas passagens bíblicas: "...tudo o que não provém de fé é pecado." Romanos 14.23b - segurei o fôlego, e "...tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma cousa em meu nome, eu o farei." João 14.13-14. Naquele momento confessei o meu pecado de não ter incluído Deus na minha decisão de casar, e pedi com fé que eu pudesse casar com esse meu noivo, na mesma hora pedindo que Deus abençoasse o nosso casamento e que fosse para a honra e glória do Senhor.


Eu aprendi cedo na vida que Deus quer que o homem seja o chefeda casa. Assim, após o nosso casamento estava super contente de me tornar membro da igreja que meu marido freqüentava e onde ele era membro. Na igreja dele éramos mais ou menos ativos, mas acabei achando que a doutrina deles, mesmo diferente da minha igreja, não era muito sã, também. Quando meu irmão me perguntou se eu gostaria de participar duma igreja mais bíblica, concordei. Não demorou muito até que um homem desconhecido por mim, mudou-se com a sua família para a nossa cidade. Eles eram muito simpáticos e nos convidavam muitas vêzes para a casa deles. Ele explicava as doutrinas da Bíblia para nós numa maneira muito clara. Como gostava de visitá-los. Eles nos mostraram hospitalidade e um amor cristão que não conheciamos antes. Nessa epoca eu estava assistindo umas reuniões semanais em casa com a minha irmã e umas outras senhoras. Ela e uma amiga dela estavam orando para que uma igreja nova pudesse ser fundada - uma mais bíblica. Nas reuniões de senhoras nós estudávamos passagens Bíblicas com muita sede, usando o curso por correspondência de Emaús "O Que A Bíblia Ensina", e depois orávamos pelas nossas necessidades em conjunto. Eu nunca tinha ouvido as verdades que estávamos achando na Bíblia. Eram preciosíssimas para mim. Ao voltar para casa, meu marido me dizia que não gostava muito que eu fosse para essas reuniões, pois eu voltava bem diferente. Eu disse a ele "Graças a Deus que fico diferente, pois eu preciso ficar diferente". Mais tarde achei esse versículo que me tocou muito: "Considero os meus caminhos, e volto os meus passos para os teus testemunhos." Salmo 119.59. Quando meu marido e eu fomos convidados para um piquenique no campo, junto com o grupinho de irmãos que estava se formando numa igreja, um ancião duma igreja que ficava numa cidade não muito distante, foi convidado para pregar. A pregação do livro de Romanos foi muito simples, mas caiu em solo preparado pela oração. Depois de ouvi-la, meu marido ficou tão comovido, que levantou e confessou perante todas as pessoas presentes, que ele tinha aceitado Cristo como Senhor e Salvador quando tinha 10 anos de idade, mas que não andava mais muito perto dEle. Ele continuou dizendo que agora em diante queria seguir ao Senhor fielmente e ser o cristão que deveria ser. E assim foi. A nossa vida mudou muito. Um pouco depois retiramos as nossas cartas de membros da igreja dele e estávamos sempre presentes nas reuniões da igreja pequena que ia se formando. Crescemos muito na fé naqueles dias, de tanta fome e sede que tínhamos da Palavra de Deus. Primeiro nos reuníamos no lar duma das famílias, depois num clube, e ainda numa escola e depois compramos um lote e construímos um pequeno salão onde nos reuníamos. Como amávamos aqueles irmãos. Nossa visão se abriu ao conhecer outros cristãos e ouvir as mensagens dos preciosos servos de Deus que vieram com tanta boa vontade para nos ensinar - evangelistas, pregadores, ensinadores da Palavra e missionários de várias partes do mundo que vieram de longe para nos ajudar a crescer na fé e a nos desenvolver na vida cristã. Um dia, saiu no rádio a notícia sobre cinco missionários que foram martirizados entre os índios da tribo Auca no Ecuador. Como muitas outras pessoas nos Estados Unidos - crentes e não crentes da mesma forma, nós também estávamos profundamente tocados pelas suas mortes. Deus usou aquele incidente como semente para fazer a Sua Palavra se espalhar pelo mundo inteiro. Muitos cristãos de muitos lugares foram chamados para O servir em vários campos do mundo. Nós também fomos chamados para O servir durante aquele período. Logo ficou claro para nós que deveríamos ir para o Brasil. Pedimos uma carta de recomendação dos nossos irmãos da igreja para sair com a nossa família.


Havíamos servido ao Senhor fielmente na igreja por sete anos e aprendemos muito, pois tentávamos pôr sempre a Palavra em prática. Meu marido servia como tesoureiro e sabia que só restavam uns $8.00 dólares na conta da igreja no fim do mês depois de pagar as despesas todas. Mas isso não nos preocupava por demais. Mais importante era atender a Sua chamada e ir. Deus iria providenciar o que precisávamos. A irmandade, após muita consideração e depois de aconselhamento com irmãos experientes, nos deu uma carta de recomendação. Simplesmente nos recomendaram "...à graça de Deus e ao Seu cuidado...". Não nos prometeram sustento qualquer, e tampouco estávamos olhando para eles para nosso sustento, mas sim para o Senhor. Recebemos mais conselhos de irmãos que conheciam o trabalho de missões e começamos a escrever para missionários no Brasil. Saimos em setembro de 1961, sem falar o português.


Não sabíamos quanto tempo iríamos ficar no Brasil, mas sabíamos que seria por muito tempo. Com ajuda dum casal de missionários em Santos que nos acolheu no início, logo achamos uma casa mobiliada para alugar em São Vicente, e lá moramos por uns 15 meses, estudando português com uma professora do primário, que vinha para nossa casa nos ensinar na hora do almoço dela. Depois, como no clima quente de São Vicente meu marido ficava doente freqüentemente, mudamos mais para o sul para uma cidade mais fria, seguindo o conselho dum outro missionário, muito amigo nosso. Em Curitiba, no Estado do Paraná, criamos os nossos três filhos, e servimos a Deus até 1996. O meu marido Floyd tem me ajudado muito na fé e também tem me encorajado sempre no uso dos meus dons para Deus. Durante os anos que trabalhamos em Curitiba, estive envolvida numa variedade de ministérios. O que eu mais gostava de fazer era trabalhar lado a lado com ele, ajudando-o nas suas atividades. Também gostava demais de ser a mãe dos nossos filhos. Essa missão dupla eu pus em primeiro lugar no programa de Deus para a minha vida. Além disso, eu desenvolvi algo na igreja que muito quis fazer embora não tendo formação formal, mas para o quê Deus me chamou e me equipou para fazer - eu servi como professora de várias matérias. Eu ensinava crianças e mulheres em estudos bíblicos e bolava jogos e lições para crianças da escola dominical. Mais tarde, para alcançar pessoas de fora, tive muito desejo de começar um curso de culinária, pois achava que podia não somente ensinar mais algumas receitas, mas que eu podia usar as aulas como uma plataforma para poder anunciar Cristo a mais algumas pessoas.Ensinava também um curso de inglês que eu elaborei para crianças e jovens. Como eu gostava muito de música, eu fazia fitas sem acompanhamento musical, em que eu cantava as vozes de diferentes hinos. Nessa maneira pude ajudar algumas pessoas nas igrejas no seu desejo de cantar em harmonia. Gravei também alguns hinos e corinhos que compus. Como era gostoso gravar preciosos versículos e conceitos bíblicos que Deus me dava. Outros ministérios naqueles anos eram fazer visitas em lares, ajudar na correção de cursos por correspondência e no envio de outras literaturas evangélicas para as pessoas que escreviam pedindo. Desenhava "Desepintas" (folhas com versículos para as crianças decorar e pintar) como também um folheto para crianças, "Veja-o Crescer". Gastava horas e horas na cozinha preparando pratos para a nossa família e para as pessoas que passavam em nosso lar de visita ou que estavam morando junto conosco por uns tempos, pratos todos que foram preparados com o mesmo tempero - amor.


Embora tenhamos passado por muitas dificuldades ao longo do caminho, Deus sempre tem me fortificado e encorajado. Muitas vezes no meio de sofrimento vem esse corinho ao meu coração: "Estou seguindo a Jesus Cristo, Deste caminho eu não desisto Estou seguindo a Jesus Cristo, Atrás não volto, não volto, não!" Pela graça e misericórdia de Deus, Ele continua a nos usar no Seu serviço. Hoje, ao aproximarmo-nos do nosso aniversário de 50 anos de casamento, uma atividade muito simples e preciosa para mim é passar um tempinho lendo a Bíblia e orando com meu marido ao começar o dia. Isto me faz lembrar de algo mais - lembra-se de que falei que quando eu era jovem eu achava que era para eu casar com um pastor? Bem, ainda tenho mais isso para contar - anos mais tarde quando já estávamos servindo o Senhor por um bom tempo, ao lermos umas cartas do bisavô do meu marido, descobrimos que ele, ao ver pela primeira vez o meu marido quando era nenê, orou pela salvação desse seu bisneto e pediu que Deus o chamasse um dia para O servir como pastor também, que nem ele era! Agradecemos muito a Deus pelas orações fervorosas dos nossos antepassados feitas ao nosso favor, há tantos anos. De várias maneiras Deus nos mostrou que Ele não queria que ficássemos mais tempo no Brasil, inclusive quando meu marido, que tem diabete e outros problemas de saúde, se tornou mais dependente de médicos e de hospitalização e eu comecei a sofrer de artrite. Antes nós dois queríamos ficar no Brasil até o fim das nossas vidas. Uma vez que a vontade de Deus ficou bem clara para nós, saimos, deixando os trabalhos com outros, como os irmãos João Batista e a sua esposa Luciléa. Eles mudaram-se para Quatro Barras, e depois da nossa saída, acharam por bem perante Deus começar uma escola em Curitiba. Isso nem tínhamos imaginado que aconteceria. Estamos tão alegres que eles tiveram essa visão para o bairro de São Lourenço, lá onde nós trabalhamos com tanto amor e carinho, tentando alcançar os nossos queridos vizinhos e outras pessoas para o Senhor. Pedimos a Deus, que muitos deles ainda se entreguem a Jesus Cristo, uma vez que cheguem a reconhecer a profundidade do Seu amor para com eles. Esperamos que a escola sempre sirva como um lugar superior de ensino, e mais ainda - um lugar onde muitas crianças e seus pais, com fome e sede espiritual, hão de buscar a Deus e achá-Lo ao ouvir a sã doutrina ensinada, como eu O buscava quando era menina. Ao achá-Lo, Ele me satisfez. Ele é fiel e tudo o que Ele me prometeu, Ele fez.


Desde que nos aposentamos aqui nos EUA na nossa cidade natal, continuamos na mesma igreja que ajudamos a fundar há tantos anos, trabalhando na obra de Deus ao lado de outros irmãos e irmãs dedicados ao Senhor. Nossos dias aqui também estão muito cheios, e nem parece que estamos aposentados; mas ao pensar bem, de fato Ele nos diz "Na velhice darão ainda frutos, serão cheios de seiva e de verdor, para anunciar que o Senhor é reto. Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça." Salmo 92.14-15. Reconhecemos que não pode haver frutos sem plantar, sem regar e sem ceifar.


- Obrigada, Senhor, por ter me dado vida.


Helen L.Pierce - Springfield, Illinois - EUA - 11 de 09 de 2000
 
 
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